ARTIGO - Bolsonaro é presidente da República, mas não presidente do Brasil
- joseairtonsite
- 27 de abr. de 2022
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O Brasil é um país de diversas torcidas: no futebol, na política, nas escolas de samba, nos reality’s, no esporte amador. Mas o brasileiro bate em um só coração, quando o assunto é copa do mundo, causas sociais, carnaval, entretenimento e olimpíadas.
Infelizmente, há quase quatro anos, o país se viu dividido, esfacelado, diante de um presidente que ostenta a faixa da República, mas longe de ser o presidente do Brasil.
Bolsonaro não governa para todos os brasileiros, mas para um grupo economicamente privilegiado, de etnia, crença, orientação sexual e preceitos alinhados. Não há negros entre seus ministros, homossexuais assumidos ou representantes de minorias.
A fome que assola pobres e que avança sobre a classe média é tratada como desdém pelo presidente da República, ao mesmo tempo que se utiliza da miséria do brasileiro como manobra para derrubar conquistas trabalhistas e promoção da maior desigualdade social.
Bolsonaro pensa e age conforme a expectativa da elite, seja nos lucros dos acionistas da Petrobras; nos exorbitantes ganhos líquidos dos bancos, apesar de uma indústria, comércio e serviços em crise; na tarifa zero às alíquotas de importação sobre jet-skis e demais produtos do interesse da classe social privilegiada; na tentativa de desqualificar uma imprensa vigilante; na manobra para a liberação da compra de armas de fogo que nunca poderão ser adquiridas pelos pobres; no combate à promoção da cultura; na desvalorização do ensino público e do atendimento do SUS; nos ataques aos outros dois Poderes da República, como forma de assegurar à elite o seu plano de submissão da população; além de outras artimanhas.
O presidente da República deixou claro que não seria o presidente do Brasil, quando gesticulou com as mãos o sinal de “roubo”, em maio do ano passado, contra manifestantes em uma avenida de Maceió. Antes disso, desdenhou dos milhares de mortos pela covid. A grande maioria, gente pobre em leitos públicos.
Bolsonaro há muito perdeu a noção de povo, quando acredita ter o apoio popular por meio de motocarreatas, como se o ronco das motocicletas sufocasse o ronco da barriga dos brasileiros mais miseráveis. Cobra uma liderança em pesquisas de intenção de voto, por desconsiderar a vontade da população mais humilde e do brasileiro politicamente esclarecido.
A mais recente distorção da realidade, por parte de Bolsonaro, se deu na graça constitucional ao deputado federal Daniel Silveira, quando o presidente da República alegou “clamor da sociedade”. De qual sociedade? Que Brasil é esse?
José Airton Cirilo é deputado federal pelo PT do Ceará, advogado e engenheiro civil.




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